Voos diretos Brasil–Irlanda: o que você precisa saber?
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O sonho de um voo direto entre Brasil e Irlanda pode estar mais próximo da realidade. Nos últimos meses, uma série de avanços diplomáticos, comerciais e regulatórios reacendeu o otimismo em torno da criação da aguardada rota entre os dois países.
Desde o interesse declarado da LATAM em ligar São Paulo a Dublin até as negociações de um acordo bilateral de serviços aéreos e a possível eliminação do limite de passageiros do Aeroporto de Dublin, diversos fatores estão alinhando as condições para que o projeto finalmente saia do papel.
Neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber sobre as negociações, os obstáculos, os próximos passos e as chances reais de um voo direto entre Brasil e Irlanda se tornar realidade.
Congresso irlandês aprova projeto para fim do limite de passageiros do Aeroporto de Dublin, favorecendo possibilidade de vôo Irlanda-Brasil

CEO da Latam diz ter interesse em voo direto entre Brasil e Irlanda. Foto: Unsplash
O parlamento irlandês aprovou o projeto de lei que permite ao governo remover o limite anual de passageiros do Aeroporto de Dublin, uma medida considerada estratégica para ampliar a capacidade do principal aeroporto do país e impulsionar o turismo e a economia irlandesa.
O projeto, chamado Dublin Airport (Passenger Capacity) Bill 2026, foi aprovado pelo Dáil por 118 votos a favor e 28 contra. Agora, o texto segue para análise do Seanad (Senado irlandês) antes de retornar ao Dáil para a aprovação final e sanção.
A proposta concede ao ministro dos Transportes, Darragh O’Brien, poderes para alterar ou revogar o atual limite de 32 milhões de passageiros por ano, imposto desde 2007 como condição do licenciamento do Terminal 2.
Além disso, o projeto também impede que futuras autoridades de planejamento urbanístico estabeleçam novos limites semelhantes para o aeroporto.
Na prática, a legislação cria o caminho legal para que o teto seja oficialmente eliminado nos próximos meses, embora ainda seja necessário concluir etapas ambientais e regulatórias previstas na própria lei.
Por que o governo quer acabar com o limite?
Nos últimos anos, o Aeroporto de Dublin ultrapassou sucessivamente a marca de 32 milhões de passageiros, gerando um impasse entre o governo, companhias aéreas, a operadora DAA e órgãos reguladores.
Segundo o governo irlandês, o limite passou a restringir o crescimento econômico do país, dificultando a criação de novas rotas internacionais e reduzindo a capacidade de atender à crescente demanda por viagens.
Durante o debate no parlamento, o ministro Darragh O’Brien afirmou que a medida busca garantir que a Irlanda esteja preparada para o crescimento do setor aéreo nos próximos anos.
“O objetivo é oferecer segurança para passageiros, companhias aéreas e para o desenvolvimento da conectividade internacional da Irlanda”, declarou.
Mudança pode beneficiar passageiros
Caso a legislação seja concluída nas próximas semanas, especialistas do setor avaliam que a retirada do limite poderá facilitar a expansão das operações no Aeroporto de Dublin.
Entre os possíveis efeitos estão:
- aumento da oferta de voos internacionais;
- criação de novas rotas de longa distância;
- maior capacidade para atender ao crescimento do turismo;
- redução das restrições enfrentadas atualmente pelas companhias aéreas.
Leia mais notícias sobre o tema abaixo:
Limite de passageiros do Aeroporto de Dublin pode ser eliminado nas próximas semanas, abrindo porta para voo direto entre Irlanda e Brasil
A proposta dará ao ministro dos Transportes poderes para alterar ou eliminar o atual teto de 32 milhões de passageiros por ano e pode ser aprovada pelo Parlamento ainda antes do recesso de verão.
Entenda por que esse limite existe, o que muda com a nova legislação e como a medida pode impactar a conectividade internacional da Irlanda, incluindo futuras rotas de longa distância, como um possível voo direto entre Brasil e Irlanda.
Mudança pode ser aprovada ainda antes do fim do verão
De acordo com fontes governamentais citadas pelo Irish Times, a expectativa é que o projeto seja debatido no Dáil (congresso) e no Seanad (senado) durante as próximas semanas.
Se o processo legislativo avançar sem grandes obstáculos, a nova lei poderá ser aprovada até meados de julho.
Por que isso interessa aos brasileiros?
Para os brasileiros que vivem na Irlanda ou viajam regularmente entre Europa e América do Sul, o fim do limite pode facilitar a expansão de rotas.
Especialistas do setor apontam que a ampliação da capacidade operacional do Aeroporto de Dublin pode favorecer futuras negociações para novas conexões internacionais.
Isso significa um passo ainda maior para a criação de voos diretos para o Brasil, já que o limite é uma pedra no sapato para que isso ocorra.
Por que há limite de passageiros no Aeroporto de Dublin?
O chamado “passenger cap” foi estabelecido em 2007 durante o processo de aprovação dos terminais 1 e 2 do aeroporto. Na época, as autoridades de planejamento definiram que os dois terminais poderiam movimentar, no máximo, 32 milhões de passageiros por ano.
A expectativa era que, no futuro, um terceiro terminal fosse construído para acomodar o crescimento adicional do aeroporto.
No entanto, quase duas décadas depois, o terceiro terminal nunca saiu do papel, enquanto o movimento de passageiros continuou crescendo.
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Voos diretos entre Irlanda e Brasil ganham força após interesse da LATAM em rota para Dublin
A possibilidade de voos diretos entre a Irlanda e o Brasil voltou a ganhar força após declarações do presidente da LATAM Airlines, maior grupo aéreo da América do Sul.
A declaração reacende uma discussão antiga entre autoridades, aeroportos e a comunidade brasileira na Irlanda, que há anos defendem a criação de uma rota direta entre os dois países.
Conforme publicou o Business Post, Alvo respondeu que a ideia sobre a rota Irlanda-Brasil é possível, mas destacou que a empresa enfrenta limitações de frota.
“Vejo várias cidades que podem se tornar novos destinos para nós no futuro. Mas a situação atual é que temos mais ideias do que aviões”, afirmou.
Ao ser perguntado especificamente sobre Dublin, acrescentou: “Acho que é possível, sim”.
A LATAM vem ampliando sua presença na Europa e recentemente lançou novas rotas ligando São Paulo a cidades como Amsterdã e Bruxelas.
Ainda não há previsão para lançamento
Apesar do interesse demonstrado pela LATAM e do avanço das negociações governamentais, não existe qualquer anúncio oficial sobre datas, frequências ou início das operações.
A própria companhia ressaltou que a disponibilidade de aeronaves é atualmente um dos principais obstáculos para a expansão internacional.
Mesmo assim, as declarações representam um dos sinais mais concretos dos últimos anos de que uma ligação aérea direta entre Irlanda e Brasil pode finalmente sair do papel.
Voos diretos Brasil–Irlanda: Embaixadores e executivo da aviação avaliam positivamente os avanços
A possibilidade de voos diretos entre Brasil e Irlanda voltou ao centro das discussões diplomáticas e comerciais entre os dois países durante o Brazil Showcase 2026, realizado neste sábado pela Brazil-Ireland Chamber of Commerce. O evento, considerado o maior voltado para negócios, educação, mobilidade internacional e investimentos entre Brasil e Irlanda, reuniu cerca de 300 participantes.
As negociações em torno de um acordo bilateral de serviços aéreos chamaram atenção especialmente por abrirem caminho para futuras rotas diretas entre os dois países, uma demanda antiga da comunidade brasileira na Irlanda e também do setor empresarial.
Durante o evento, o edublin conversou com os embaixadores dos dois países e com um executivo do aeroporto de Dublin sobre o assundo.
Embaixador irlandês vê com positividade os avanços da pauta

Embaixador da Irlanda em Brasília, Martin Gallagher, falou ao edublin sobre negociações para voo direto entre Brasil e Irlanda. Foto: Rubinho Vitti
Segundo o embaixador da Irlanda em Brasília, Martin Gallagher, as relações entre Irlanda e Brasil vivem um dos melhores momentos da história.
“Como embaixada e também como governo irlandês, estamos trabalhando com nossos colegas do lado brasileiro para fechar um acordo de serviços aéreos. Esse processo já está bastante avançado e esperamos que seja concluído em breve”, afirmou.
Gallagher explicou que, após a assinatura do acordo, a decisão sobre a criação da rota dependerá diretamente das companhias aéreas.
“Depois que esse acordo estiver em vigor, caberá às companhias aéreas decidirem se enxergam essa rota como algo viável para elas. Obviamente, da perspectiva da embaixada, gostaríamos muito de ver um voo direto entre Irlanda e Brasil”, disse.
Ele destacou ainda que a conectividade aérea teria impacto muito além do turismo.
“A conectividade é extremamente importante para fortalecer relações, sejam elas comerciais, culturais ou entre as pessoas.”
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Embaixador brasileiro reforça o interesse privado

Para embaixador do Brasil em Dublin, Flávio Macieira, existem fatores privados e comerciais para que o voo entre Brasil e Irlanda aconteça de fato. Foto: Rubinho Vitti
O embaixador do Brasil em Dublin, Flávio Macieira, afirmou que a criação de uma rota depende principalmente de fatores comerciais e do interesse das empresas aéreas, mas demonstrou otimismo.
“Sinto interesse de companhias brasileiras em fazer isso. Tenho muita esperança. Acho que vai ser um salto ainda maior nessa relação tão forte que hoje existe entre Brasil e Irlanda.”
Irlanda é hoje o principal destino europeu sem ligação direta com o Brasil, diz executivo do Dublin Airport

Palestra de Eoin McGloughlin, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios de Aviação do Aeroporto de Dublin, durante o Brazil Showcase 2026. Foto: Rubinho Vitti
Outro destaque do evento foi a palestra de Eoin McGloughlin, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios de Aviação do Aeroporto de Dublin, que apresentou dados sobre a viabilidade da rota.
Segundo ele, a Irlanda é atualmente o principal destino europeu sem voos diretos para o Brasil.
“Esperamos naturalmente que as chances sejam altas”, afirmou.
McGloughlin explicou que desafios globais recentes têm dificultado decisões das companhias aéreas, incluindo atrasos na entrega de aeronaves e a crise internacional dos combustíveis.
“Houve muitos problemas recentemente envolvendo pedidos de aeronaves e logística, incluindo atrasos na entrega de aviões e, claro, a crise contínua dos combustíveis, o que está tornando a tomada de decisões mais difícil para as companhias aéreas.”
Apesar disso, ele acredita que os obstáculos sejam temporários e vê fundamentos sólidos para a criação da rota.
“Acreditamos que o mercado faz sentido. Achamos que há pessoas suficientes aqui, especialmente considerando a comunidade brasileira na Irlanda.”
Ele citou estimativas de cerca de 80 mil brasileiros vivendo na Irlanda, além do crescimento das relações comerciais entre os dois países e do potencial impacto do acordo entre União Europeia e Mercosul.
Rota não seria apenas para passageiros
Eoin McGloughlin também destacou que a viabilidade econômica da rota não depende apenas do fluxo de turistas ou estudantes, mas também do transporte de cargas e do fortalecimento comercial.
“Isso não se trata apenas de transporte de passageiros. Trata-se também de comércio, investimentos e oportunidades de carga aérea.”
Segundo ele, todos esses fatores ajudam a fortalecer o argumento comercial para a criação de um voo direto.
“Estamos conversando com muitas companhias aéreas e esperamos que uma dessas conversas se torne realidade.”
Voos diretos Brasil–Irlanda: governos anunciam abertura de negociações sobre um Acordo de Serviços Aéreos

Acordo de serviços aéreos é empurrão que falta para negociações avançarem para o voo direto Brasil e Irlanda. Foto: Envato
O Ministro dos Transportes da Irlanda, Darragh O’Brien, e o Ministro dos Portos e Aeroportos do Brasil, Sílvio Costa Filho, anunciaram a abertura de negociações formais sobre um Acordo de Serviços Aéreos (ASA) entre a Irlanda e o Brasil.
Um Acordo de Serviços Aéreos (ASA) fornece a estrutura legal e regulatória para a operação de serviços aéreos regulares. O acordo facilitaria a introdução de voos regulares diretos entre os dois países, caso alguma operadora comercial deseje iniciar as operações.
Acolhendo com satisfação as negociações, o Ministro O’Brien afirmou:
“Fico muito satisfeito com o início das negociações entre os nossos representantes. Um acordo bilateral de serviços aéreos entre a Irlanda e o Brasil enviaria um forte sinal à indústria sobre o compromisso dos nossos dois governos em facilitar a conectividade direta entre os nossos países, o que traria benefícios significativos para o turismo e o comércio, além de fortalecer ainda mais os laços crescentes entre os nossos povos. Estou otimista quanto ao ritmo do progresso e entusiasmado para que ambas as partes concretizem o acordo em breve.”
Embora a decisão de introduzir voos diretos continue sendo uma questão comercial para as companhias aéreas interessadas, os dados sugerem que há uma demanda crescente de passageiros por viagens diretas da Irlanda para o Brasil, e algumas companhias aéreas já manifestaram informalmente interesse nessa rota. Espera-se que essa demanda seja atendida por uma companhia aérea da Irlanda, do Brasil ou mesmo da União Europeia.
Atualmente, não há voos diretos da Irlanda para a América do Sul. Um novo serviço direto poderia proporcionar acesso não apenas ao Brasil, mas também conexões para destinos em todo o continente, por meio de importantes centros internacionais, como o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
O Ministro Costa Filho enfatizou os potenciais benefícios que o Acordo poderá proporcionar:
“O acordo bilateral de serviços aéreos entre o Brasil e a Irlanda é a oportunidade não apenas de expansão da aviação entre os países, mas de também alavancar o turismo na América Latina e Europa. Esse é um marco muito importante para os dois governos, que vêm demonstrando interesse mútuo em abrir novos mercados e fortalecer o modal que mais transporta pessoas no mundo em viagens de longa distância. No que depender do Ministério de Portos e Aeroportos e do Governo Federal, o acordo será celebrado em breve, abrindo caminhos para a operação aéreo entre as nações.”
Por ser um acordo internacional, o ASA precisará passar pelos diversos procedimentos internos de ambos os países antes de ser assinado e entrar em vigor.
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Impactos econômicos e geração de empregos
O Aeroporto de Dublin, considerado o principal hub aéreo da Irlanda, representa:
- €9,6 bilhões em Valor Adicionado Bruto (GVA) – equivalente a 2,3% do PIB nacional.
- 19,900 empregos diretos no aeroporto e em negócios relacionados.
- 116,100 empregos no total, incluindo efeitos indiretos e catalíticos.
De acordo com a associação ACI Europe, cada aumento de 1 milhão de passageiros gera em média 750 novos empregos na aviação.
Próximos passos para o seu intercâmbio na Irlanda
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