Guia: como conseguir visto de trabalho na Irlanda

Guia: como conseguir visto de trabalho na Irlanda

Elizabeth Gonçalves

4 semanas atrás

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Muitos intercambistas brasileiros embarcam para a Irlanda com o objetivo de, durante o intercâmbio, conseguir um emprego na área de atuação e obter um visto de trabalho para permanecer no país.

A Irlanda tem se recuperado de um período de recessão e, como consequência disso, vários setores da economia retomaram o crescimento e precisam de profissionais qualificados.

Não é mais novidade para ninguém que a Irlanda importa talentos da área de TI para suprir a demanda do seu mercado de trabalho. Mas o que esquecemos é que, sim, existem outros setores no país carentes de profissionais.

De acordo com um relatório publicado recentemente pela CPL, maior empresa recrutadora na Irlanda, as vagas no mercado de trabalho irlandês não estão restritas exclusivamente ao setor de tecnologia.

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Segundo o documento, no último ano, a agência observou um crescimento de 25% nas vagas relacionadas ao setor de vendas e marketing, por exemplo, quando comparado a 2016.

Outras áreas de destaque no mercado irlandês são os setores de finanças e contabilidade, que continuam fortes no país. O mesmo vale para o setor de tecnologia.

Leia também: Trabalhar na Irlanda: regras, vistos e profissões para brasileiros

Visto de trabalho

Os brasileiros estão entre as nacionalidades que mais são empregadas na Irlanda. Foto: Dreamstime

Segundo estatísticas publicadas pelo Department of Business, Enterprise and Innovation, em 2018, foi concedido o total de 4711 vistos de trabalho.

Algumas das nacionalidades que mais se beneficiaram pela medida são: Índia, Estados Unidos, Filipinas, Brasil, Paquistão e China.

Entre os setores que mais concederam vistos de trabalho a profissionais qualificados de fora da União Europeia se destaca, primeiramente, o segmento de saúde, empregando 570 estrangeiros apenas no mês de maio. Em seguida, está o de serviços, com 392 vistos concedidos; e o setor de indústrias, com 145 vistos concedidos em maio.

Tipos de visto

Claro que, antes de aplicar para o visto de trabalho na Irlanda, é essencial saber que existem vários tipos de permissão de trabalho na Irlanda. Atualmente, a lista engloba 9 categorias, entretanto, duas são as mais populares e questionadas pelos brasileiros: o visto Stamp 2, a General Employment Permit e a Critical Skills Employment Permit, este substitui o antigo Green Card.

Visto stamp 2 – 20h de trabalho apenas

Vamos começar pelo mais comum, aquele que seduz a maioria dos estudantes que escolhem a Irlanda para aprender inglês com permissão de trabalhar 20 horas semanais ou, 40 horas em períodos específicos do ano.

Pessoas elegíveis ao visto: cidadãos non-EEE que viajem para a Irlanda com o objetivo de estudar em cursos de idioma ou universitários em instituições aprovadas pelo governo irlandês por um período mínimo de 6 meses (e máximo de 8 meses — para estudantes de idiomas). Pode ser renovado até 2 vezes.

Documentos necessários:

  • carta da escola, com curso de carga mínima semanal de 15h/aula por semana;
  • ter seguro governamental ou médico privado de uma empresa estabelecida na Irlanda;
  • comprovante de pagamento do curso;
  • 3.000 euros comprovados em extrato de uma conta em banco irlandês ou outro método aceito pelo governo;
  • comprovação de endereço;
  • prova de que a escola tem o Learner Protection;
  • o valor de 300 euros pelo registro do Irish Residence Permit — IRP;

Áreas de atuação: como os portadores desse visto podem trabalhar até 20h semanais durante o período de aulas e até 40h em meses específicos (entre os meses de junho e setembro; e entre 15 de dezembro e 15 de janeiro), esse visto acaba por limitar as ofertas de trabalho. Assim, muitos estudantes ficam restritos a opções como em áreas de comércio e serviços, atuando em lojas, cafés, restaurantes, hotéis, etc.

Limitações: além de restringir as possibilidades no mercado de trabalho, o Stamp 2 não é um visto de residência. Dessa forma, os estudantes podem permanecer no país por um período máximo de 7 anos.

Áreas que não dão visto de trabalho

Trabalhar em pub ou em hotel não concede visto de trabalho na Irlanda. Foto: Dreamstime

Como citamos, o visto Stamp 2 é apenas uma permissão de trabalho, limitado pela carga horária de 20h semanais. Isso se difere completamente de um visto de trabalho, como mostraremos adiante.

Estrangeiros com o Stamp 2 podem trabalhar em qualquer setor, desde que se respeite a carga horária limite. Cargos de gerência em lojas, restaurantes, hotéis, agências de viagens, entre outros, fazem parte da lista de carreiras inelegíveis ao visto de trabalho na Irlanda e podem ser supridos por estrangeiros com visto Stamp 2.

Essa lista também inclui profissionais de áreas como: serviço social, técnicos em arquitetura, massagistas, psicólogos, policiais, personal trainer, mecânicos, eletricistas, entre outros.

Vamos supor que  você trabalhe em uma rede de lojas e o seu chefe ofereceu uma vaga full time de gerente. Infelizmente, esse cargo não vai proporcionar o visto de trabalho, mesmo se o seu salário for superior a 30 mil euros anuais.

A oferta de emprego e sua importância para o visto de trabalho

Para aplicar para o visto de trabalho, primeiramente, você precisa receber uma oferta de emprego, chamada aqui de job offer. Ou seja, isso só acontece depois que você é aprovado na entrevista.

Com esse documento em mãos, você pode começar a dar entrada no processo de aplicação do visto, que consiste em preencher um formulário online, disponível no portal do Department of Business, Enterprise and Innovattion (DBEI).

Conheça os dois principais vistos de trabalho disponíveis na Irlanda

Aplicação para o visto de trabalho na Irlanda pode ser feito por meio das critical skills. Foto: Rawpixelimages | Dreamstime

1. General Employment Permit

A categoria General Employment Permit engloba profissionais das mais diversas áreas. Os requisitos para aplicar para esse visto são:

  • descrição completa do emprego proposto;
  • é necessário que a vaga em questão não esteja em uma categoria de trabalho excluída no rol das Categorias de Emprego Inelegíveis para o visto;
  • informações relativas às qualificações ou experiência exigidas para a vaga;
  • remuneração anual mínima — geralmente — é de 30.000 euros. No entanto há exceções como:

€ 27.000 para estudantes não pertencentes à União Europeia — quem se formou nos últimos 12 meses, em uma instituição irlandesa de terceiro nível, e recebeu uma proposta de trabalho em área presente na lista de carreiras elegíveis. Entretanto, a remuneração mínima anual deve ser de € 30.000 na fase de renovação;

€ 27.000 para estudantes não pertencentes a União Europeia EEA — quem se formou nos últimos 12 meses em uma instituição de terceiro nível no exterior e recebeu uma proposta como profissional na área de TI. Entretanto, a remuneração anual mínima deve ser de 30.000 euros na fase de renovação;

€ 27.000 para uma posição que requeira uma pessoa fluente na língua oficial de um estado que não seja um Estado membro da União Europeia, onde a vaga seja apoiada por uma agência de desenvolvimento empresarial e o emprego seja:

  • atendimento ao cliente em papel de vendas, com conhecimento relevante do produto;
  • um papel especializado em marketing digital e vendas on-line, ou
  • suporte especializado em idiomas e suporte técnico de vendas;

€ 27.500 para vagas de açougueiro.

A principal vantagem desse visto é que ele apresenta uma gama mais ampla de ocupações do que as outras classes de permissão de trabalho. Com isso, exceto as carreiras descritas na lista de carreiras inelegíveis para visto, todos os profissionais podem se candidatar, desde que atendam aos requisitos descritos acima.

Quais os pré-requisitos, considerando a empresa?

  • Somente serão aceitas inscrições de empregadores devidamente cadastrados no Revenue (equivalente à Receita Federal na Irlanda).
  • Outro fator é que o visto de trabalho é emitido apenas se, pelo menos, 50% dos empregados da empresa sejam cidadãos da União Europeia (regra dos 50:50).

Quanto custa?

  • €500 para uma autorização de trabalho de 6 meses ou menos
  • €1.000 para uma autorização de trabalho de 6 meses a 24 meses de duração

Tempo de processamento

A entrada no visto deve ocorrer num período mínimo de 12 semanas da data proposta para início no trabalho.

É necessário sair da Irlanda para aplicar para o visto?

Não, estudantes portadores do visto Stamp 2, por exemplo, podem aplicar para o visto de trabalho na Irlanda sem precisar deixar o país.

Pode-se migrar do visto de estudante?

Sim. Estudantes que receberem uma oferta de trabalho dentro das categorias elegíveis descritas acima podem aplicar para o visto de trabalho.

2. Critical Skills Employment Permit ou Green Card

As ocupações elegíveis sob esse tipo de autorização são consideradas extremamente importantes para o crescimento da economia da Irlanda, são altamente exigidas e qualificadas e em escassez significativa de oferta no nosso mercado de trabalho.

Para ser elegível a esse visto, é necessário:

  1. ocupações com uma remuneração anual mínima de € 32.000 em áreas descritas na lista de carreiras elegíveis ao visto — uma qualificação universitária é requisitada para aplicação ao visto;
  2. todas as profissões com uma remuneração anual mínima superior a € 64.000, desde que não estejam inclusas na lista de carreiras inelegíveis ao visto — um cidadão não pertencente à EEE que não tenha uma qualificação superior deve ter o nível necessário de experiência para aplicar para o visto;
  3. o empregado deve ter garantido uma oferta de trabalho de 2 anos.

Áreas elegíveis

O DBEI disponibiliza online uma lista completa das áreas que atualmente sofrem com a de profissionais qualificados na Irlanda e que, consequentemente, necessitam de profissionais estrangeiros para suprir a demanda.

Vale destacar que essa lista é atualizada durante o ano, com a inclusão de novas profissões. A lista geralmente inclui carreiras como:

  • Profissionais de ciências naturais e sociais (químicos, cientistas)
  • Profissionais de engenharia
  • Profissionais de TI
  • Profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos, fonoaudiólogos, radioterapeutas)
  • Gerentes e diretores de saúde e serviços sociais
  • Profissionais de enfermagem e obstetrícia
  • Ortopedistas
  • Paramédicos
  • Professores e profissionais da área educacional (desde que tenham diploma de doutorado)
  • Contadores e consultores de impostos qualificados
  • Diretores de arte e animação 2D e 3D
  • Designers
  • Profissionais com expertise  e especializados em vendas e marketing

Como aplicar

Todo o processo de aplicação para os vistos de trabalho irlandeses deve ser feito por meio do site do Departamento de Negócios, Empresa e Inovação (DBEI). Como mencionamos, tanto o empregador quanto o empregado podem realizar a inscrição e submeter a documentação exigida.

Vale destacar que é necessário encaminhar a aplicação para o visto, pelo menos, 12 semanas antes da data proposta para o início do trabalho. Ou seja, o empregador deve estar preparado para esperar, pelo menos, 3 meses para que você ocupe o cargo que lhe foi oferecido.

O formulário é dividido em seis partes, sendo a primeira com informações cadastrais do contratante e a segunda e terceira com dados cadastrais do contratado, como nome, endereço, estado civil, IRP, histórico educacional, se tem emprego atualmente e, se sim, qual a permissão que teve para trabalhar até agora. Por exemplo, o visto de estudante que tiramos para o intercâmbio que permite trabalhar 20 horas semanais.

Na quarta parte do formulário, a atenção deve redobrar, pois é nela que o requerente deve se transformar em um expert em marketing pessoal, mostrando que tem habilidades e experiências que um possível empregado europeu não teria.

Na quinta parte do formulário, são detalhadas as informações sobre salário e as formas de pagamentos acordadas com a empresa. E na sexta e última parte são especificados os termos e condições de aceitação para o visto de trabalho. Nele, são solicitadas as assinaturas originais, abaixo das declarações necessárias para a aplicação, do empregador, do empregado e da agência, caso a contratação tenha sido feita por uma agência de empregos.

Validade do visto

O visto de Critical Skills é emitido por um período de dois anos e, após esse período, ele não precisa ser renovado. Em vez disso, o profissional pode aplicar para o visto Stamp 4, que dará o direito de morar e trabalhar na Irlanda por até dois anos, podendo ser renovado. Após um período de 60 meses com o visto Stamp 4, o profissional poderá aplicar para residência de longo prazo.

Aplicação negada. Sim, pode acontecer

Para evitar ter a aplicação negada, é necessário preencher o formulário com atenção e deixar muito claro que você é um expert na área, além de incluir todos os documentos que comprovem isso.

Se não ficar explícito que foram feitos esforços (ou eles assumirem que não) para contratar um irlandês ou um europeu, sua aplicação poderá ser negada. Por isso, fica aqui a dica de se elaborar uma boa resposta na hora de falar sobre as experiências e habilidades (skills) do contratado.

Comece citando sua experiência com o mercado latino-americano, o fato de falar Brazilian-Portuguese fluentemente e não deixe de citar caso tenha alguma experiência no mercado internacional. Lembre, também, que as chances aumentam se tiver em mãos suas certificações e diplomas traduzidos e juramentados.

Quanto custa?

A taxa de aplicação para esse visto é de 1.000 euros, sendo que 90% é reembolsável caso a aplicação seja negada. Além da taxa de aplicação, você precisará pagar os 300 euros para a emissão do IRP (Irish Residence Permit), o antigo cartão GNIB.

Tempo de espera

As aplicações para visto de trabalho são processadas pelo DBEI em ordem de data. O acompanhamento pode ser realizado online e, atualmente, dura entre 5 e 12 semanas para o pedido ser processado.

Todo o processo de aplicação é realizado online com o objetivo de tornar o procedimento mais ágil e atender a demanda do mercado de trabalho a tempo hábil.

Além disso, se a sua aplicação para o visto é recusada, você tem o prazo de 28 dias para pedir a revisão do resultado. Isso pode ser feito utilizando o formulário online disponível no portal do DBEI.

Tenho o visto Stamp 1G. Posso trabalhar?

A diferença entre cada um desses exames de proficiência está no formato das provas.Foto: MSLAX

Quem estudou mestrado ou doutorado na Irlanda tem um visto de trabalho especial de 24 meses. Foto: MSLAX

O Graduate Scheme é um programa que dá aos estudantes graduandos o direito de trabalhar full time no país pelo período máximo de 24 meses. O objetivo é dar a esses profissionais recém-graduados a oportunidade de encontrar um trabalho que lhes conceda o visto de trabalho.

Assim, após concluir os seus estudos, os estudantes que aplicarem para esse visto recebem em seu passaporte o Stamp 1G. De acordo com o órgão, essa mudança tem como objetivo distinguir esse grupo de estudantes dos demais, além de deixar claro para os empregadores que esses profissionais podem ser contratados para trabalhar em período integral.

Tenho o Stamp 3. O que eu faço?

O visto Stamp 3 é concedido a esposas, maridos e dependentes de cidadãos não europeus que têm o direito de trabalhar legalmente na Irlanda. Sob esse visto, essas pessoas podem permanecer no país por um período determinado. Entretanto, não podem trabalhar ou abrir um negócio.

Porém, essas pessoas podem procurar trabalho e, assim que obtiverem uma proposta de emprego, devem aplicar para o visto de trabalho, nesse caso, chamado de Dependant/Partner/Spouse Employment Permit.

Entretanto, muitos empregadores não sabem que os portadores do visto Stamp 3 podem solicitar uma permissão de trabalho, descartando, assim, as possibilidades de essas pessoas conseguirem uma colocação profissional no país.

É justamente por isso que, nos últimos meses, surgiu na Irlanda a Reform Stamp 3, uma campanha que pede para a imigração irlandesa rever essa categoria de visto, já que ela vem impedindo que profissionais qualificados entrem no mercado de trabalho irlandês.

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Elizabeth Gonçalves, Jornalista viciada em cinema, música e literatura. Paulistana, se apaixonou por Dublin, onde mora há cinco anos e sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo.

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